1º Bloco feminista no carnaval em Moçambique

A festa do carnaval pode ser vista como um tubo de ensaio social onde o corpo feminino é convidado especial e a nudez o prato principal. Em torno destes, são colocados em evidência o carácter comportamental da sociedade patriarcal. A exposição corporal neste contexto não é construida no sentido de promover a liberdade individual das mulheres, a nossa liberdade. Pelo contrário, a nudez carnavalesca é usada como uma oportunidade para reproduzir e reforçar a opressão machista. A mulher no carnaval é considerada vulgar, um mero objecto para entretenimento do qual se pode e até se deve desrespeitar.

242615-970x600-1Para além disso, a pressão que a sociedade exerce para que sigamos um padrão de beleza construído a partir do olhar masculino é posta a prova.  A obsessão pelo quadril largo, traseiro saliente, cintura fina, seios empinados e fartos é enfatizada. Pois, a mulher que possui tais características é apelidada de gostosa/boazuda! A questão que se coloca é: gostosa pra quem? O termo faz uma analogia com qualquer coisa de comestível, ora o coméstivel (pão, carne, fruta, vegetais…) não pensa, não fala, não age, existe apenas para servir saciando fome alheia. Assim, esta expressão que aparece como um elogío, expõe na verdade, o quanto a mulher é percebida como esta mesma visão de que somos objectos que devemos estar sempre “em dia” para sermos expostas e aprovadas, pelos homens.

Neste contexto estamos mais sujeitadas ao assédio que parte de assobios e cantadas como se fosse apenas uma demonstração de interesse. Mas, quando estes nos são dirigidos, não raras vezes a opção que nos é imposta de forma implícita é o silêncio. Pois, uma resposta negativa pode desencadear insultos ou até a agressão física. Assim, como no dia-a-dia este assédio serve como uma forma de afirmar que a única situação aceitável para que ocupemos o espaço público é justamente estar em completa prontidão para servi-los. Pois, o espaço público na verdade não é tão público assim e as mulheres de respeito deveriam estar acompanhadas de um homem ou em casa para que não sejam assediadas.

download (3)Portanto, quando se vai ao carnaval ( como qualquer outra festa ) não faltam conselhos como:  “não vás pra lá sozinha”, “vê la bem o tamanho da tua saia”, “tenha cuidado com o seu copo”… etc. Mas nunca, nunca se ouve alguém dizer aos homens para que aprendam a respeitar a mulher e o seu corpo! Nunca é lhes dito que a mulher tem o direito assim como eles de usufruir do espaço público sem nenhum tipo de constrangimento! Talvez então por este motivo, quando somos violadas não se considera logo a princípio a atitude do violador como inaceitável. As primeiras perguntas são: mas o que ela tinha vestido? Era noite? Estava sozinha? como se quisessem dizer que sempre há alguma cota parte de culpa para nós mulheres quando somos violadas. Provavelmente – pensa a sociedade- não terão seguido à risca as tais recomendações e isso basta para que a violação ao NOSSO CORPO seja justificável!

 O bloco feminista no carnaval de Maputo pretende fazer deste carnaval um espaço que para as mulheres se libertem. Exigimos a autonomia do nosso corpo. Nada justifica as violações sexuais, queremos garantir que de saia curta ou longa sejamos respeitadas.  Queremos poder viver com o corpo que temos, repudiamos todas as formas para estimular a perseguição do padrão de beleza e não aceitamos mais que sejamos o alimento do capitalismo.

No ambito da 4ª acção internacional da Marcha Mundial das Mulheres, neste carnaval sairemos às ruas para resitir a opressão e convidamo-lá a juntar-se a nós.

Quem pode participar no bloco feminista ?

Mulheres jovens e adultas, gordas, magras ou gostosas, apareçam! Vamos juntas construir alternativas lançando nossas mensagens em cartazes e claro, vamos nos divertir!

Como?

Apareça no Fórum Mulher a partir da 4 ª feira dia 25 de Fevereiro e compre (200 meticais cada) a capulana lilás que representa a nosso bloco, deixe-nos seu nome e contacto e compareça no dia 28 de fevereiro (sábado )  pelas 17 : 30 no Parque dos continuadores.

Nota: Faça com a capulana o traje que quizer, longo ou curto, eles não tem nada a ver com isso!

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