08 de Março para unir as mulheres e libertar mentes!

No século XIX, Harriet Putman, uma humanista negra norte-americana afirmava: ”libertei mil escravos, poderia ter liberto outros mil se eles soubessem que são escravos”. Este 08 de Março para nós carrega está tónica marcante. Da necessidade de libertar-se a consciência das mulheres e da sociedade sobre todas as formas de opressão a que estamos sujeitas.

É mais um 08 de Março, mais um dia em que a caixa de mensagens abarrota com palavras de felicitação e encorajamento, os homens estão mais propensos a abrir-nos a porta ou a ceder-nos a cadeira. Mas ninguém se propõe a reflectir o porquê de celebrarmos esta data. Importa para nós que todas e todos percebam o que motiva o mundo inteiro a dedicar uma data a nós mulheres.

Porque as mulheres tem um dia internacional? Meme-7Porque a história da humanidade nos obriga a ter de lembrar ao mundo de que ser mulher é ser gente! A nossa condição é ancôrada ao facto de que nascemos num mundo onde precisamos lutar para que sejamos tratadas com dignidade humana! Isso é tão absurdo que não podemos ficar paradas. E o 08 de Março é o símbolo da nossa caminhada, ele nos lembra de onde partiram as nossas reivindicações e nos faz reflectir para onde queremos ir.

Women_VotersUm dia internacional para que reafirmemos a luta pela igualdade, pela conquista de espaços, autonomia do corpo e sexualidade, liberdade de opinar e decidir, direito as mesmas oportunidades de educação, saúde, salários e liderança. Hoje, um dia para recordar também que o facto de termos nascido mulher nos coloca automaticamente em posição de acção, conduzir os caminhos desta marcha.   Vamos libertar em nós a “Eva” que não é puta nem santa e  a “Maria” que não é santa nem puta: Somos mulheres! Hoje, queremos plantar a semente da liberdade da mente, corpo e dos nossos territórios e apelar a uma maior união e solidariedade feminina porque somos umá só!

Está em nossas mãos, é a era da vagina e do clitóris em mentalidade consciente e libertária…

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1º Bloco feminista no carnaval em Moçambique

A festa do carnaval pode ser vista como um tubo de ensaio social onde o corpo feminino é convidado especial e a nudez o prato principal. Em torno destes, são colocados em evidência o carácter comportamental da sociedade patriarcal. A exposição corporal neste contexto não é construida no sentido de promover a liberdade individual das mulheres, a nossa liberdade. Pelo contrário, a nudez carnavalesca é usada como uma oportunidade para reproduzir e reforçar a opressão machista. A mulher no carnaval é considerada vulgar, um mero objecto para entretenimento do qual se pode e até se deve desrespeitar.

242615-970x600-1Para além disso, a pressão que a sociedade exerce para que sigamos um padrão de beleza construído a partir do olhar masculino é posta a prova.  A obsessão pelo quadril largo, traseiro saliente, cintura fina, seios empinados e fartos é enfatizada. Pois, a mulher que possui tais características é apelidada de gostosa/boazuda! A questão que se coloca é: gostosa pra quem? O termo faz uma analogia com qualquer coisa de comestível, ora o coméstivel (pão, carne, fruta, vegetais…) não pensa, não fala, não age, existe apenas para servir saciando fome alheia. Assim, esta expressão que aparece como um elogío, expõe na verdade, o quanto a mulher é percebida como esta mesma visão de que somos objectos que devemos estar sempre “em dia” para sermos expostas e aprovadas, pelos homens.

Neste contexto estamos mais sujeitadas ao assédio que parte de assobios e cantadas como se fosse apenas uma demonstração de interesse. Mas, quando estes nos são dirigidos, não raras vezes a opção que nos é imposta de forma implícita é o silêncio. Pois, uma resposta negativa pode desencadear insultos ou até a agressão física. Assim, como no dia-a-dia este assédio serve como uma forma de afirmar que a única situação aceitável para que ocupemos o espaço público é justamente estar em completa prontidão para servi-los. Pois, o espaço público na verdade não é tão público assim e as mulheres de respeito deveriam estar acompanhadas de um homem ou em casa para que não sejam assediadas.

download (3)Portanto, quando se vai ao carnaval ( como qualquer outra festa ) não faltam conselhos como:  “não vás pra lá sozinha”, “vê la bem o tamanho da tua saia”, “tenha cuidado com o seu copo”… etc. Mas nunca, nunca se ouve alguém dizer aos homens para que aprendam a respeitar a mulher e o seu corpo! Nunca é lhes dito que a mulher tem o direito assim como eles de usufruir do espaço público sem nenhum tipo de constrangimento! Talvez então por este motivo, quando somos violadas não se considera logo a princípio a atitude do violador como inaceitável. As primeiras perguntas são: mas o que ela tinha vestido? Era noite? Estava sozinha? como se quisessem dizer que sempre há alguma cota parte de culpa para nós mulheres quando somos violadas. Provavelmente – pensa a sociedade- não terão seguido à risca as tais recomendações e isso basta para que a violação ao NOSSO CORPO seja justificável!

 O bloco feminista no carnaval de Maputo pretende fazer deste carnaval um espaço que para as mulheres se libertem. Exigimos a autonomia do nosso corpo. Nada justifica as violações sexuais, queremos garantir que de saia curta ou longa sejamos respeitadas.  Queremos poder viver com o corpo que temos, repudiamos todas as formas para estimular a perseguição do padrão de beleza e não aceitamos mais que sejamos o alimento do capitalismo.

No ambito da 4ª acção internacional da Marcha Mundial das Mulheres, neste carnaval sairemos às ruas para resitir a opressão e convidamo-lá a juntar-se a nós.

Quem pode participar no bloco feminista ?

Mulheres jovens e adultas, gordas, magras ou gostosas, apareçam! Vamos juntas construir alternativas lançando nossas mensagens em cartazes e claro, vamos nos divertir!

Como?

Apareça no Fórum Mulher a partir da 4 ª feira dia 25 de Fevereiro e compre (200 meticais cada) a capulana lilás que representa a nosso bloco, deixe-nos seu nome e contacto e compareça no dia 28 de fevereiro (sábado )  pelas 17 : 30 no Parque dos continuadores.

Nota: Faça com a capulana o traje que quizer, longo ou curto, eles não tem nada a ver com isso!

Dia dos(as) namorados(as), muito para além das rosas!

santavalentina

  1. Um parceiro que substitua agressão verbal/física por CONVERSAS SINCERAS;
  2. Um parceiro que partilhe comigo TODAS AS TAREFAS DOMÉSTICAS;
  3. Um parceiro que se empenhe em SATISFAZER O MEU PRAZER SEXUAL SEM PRECONCEITOS;
  4. Um parceiro que seja um PAI PRESENTE E PARTICIPATIVO EM TODOS OS MOMENTOS;
  5. Um parceiro que NÃO ME IMPEÇA DE TER AMIGAS/AMIGOS E DE ME DIVERTIR;
  6. Um parceiro CAPAZ DE SE EMOCIONAR ;
  7. Um parceiro que RESPEITE A MINHA PRIVACIDADE E CONFIE EM MIM;
  8. Um parceiro que PARTILHE COMIGO AS DESPESAS DE CASA;
  9. Um parceiro que ME ACEITE E RESPEITE SENDO EU MAGRA OU GORDA;
  10. UM COMPANHEIRO QUE SORRIA COMIGO PELAS MINHAS E NOSSAS VITÓRIAS;

E tu, que rosas desejas para este 14 de Fevereiro?

#SOMOS TODAS GOVERNADORAS DE GAZA

imagesO cenário político em Moçambique lembra-nos muito o “chapa”[1] na cidade de Maputo. É governado e fiscalizados por indivíduos do sexo masculino e as mulheres servem apenas como passageiras, quase sempre importunas por não se adequarem devidamente a frenética e abarrotada corrida que antecipa a entrada neste transporte. Isso, não é novidade para ninguém. Somos percebidas como “aquelas que vão na boleia” ocupando espaços políticos não merecidos só para fazer de capa positiva para uma agenda internacional: a equidade de género. Mas, quando o machismo dissimulado dá lugar para a falta de respeito, o “chapa” se transforma no “my love”[2] e na política, as mulheres passam de um incômodo para ser um objecto!

Gov-Gaza-400x275É desta forma que, agentes do patriarcado se dirigiram para com Stella da Graça Pinto, a recém  Governadora da Província de Gaza. Como forma de contestar a sua nomeação foi feito uso deliberado e maquiavélico da democratização dos meios de comunicação para veicular videos e imagens algumas visivelmente clonadas, onde é exposta a imagem de uma mulher nua e em posição sexual que caluniosamente é apontada como sendo a referida Governadora. Constatou-se que, o objectivo incoerente de tal contra-campanha seria então, provar a falta de competência e moral da Governadora para dirigir a Província. Tudo isto, senhoras e senhores deve-se ao simples facto de a  nomeada Governadora ser mulher e principalmente por ser jovem, uma vez que, a Província de Gaza tem sido governada exclusivamente por homens desde a proclamação da independência nacional a Junho de 1975. É, portanto, uma clara acção para reforçar e prepetuar o esteriótipo de que as mulheres são naturalmente incapacitadas para ocupar posições de decisão e acedem a qualquer emprego ou cargo de poder a partir de favores sexuais . Crime cibernético, calúnia e difamação, no final o que se questiona mesmo é a integridade de quem praticou.

Posto isto, questionamos os meios utilizados para comprovar a incompetência da Governadora. Mas desde quando é que competência e honra de um indivíduo  se classifica apartir de sua sexualidade?! Se assim for, porque motivo nunca houveram testes de competências idênticos aplicados aos homens que são parte do cenário político deste país? Estamos cépticas em relação ao real carácter de uma sociedade que rejeite a eleição de uma representante de dois segmentos (mulher e juventude) que constituem a maioria populacional neste País. E que ainda por cima, foram sendo excluídos dos processos de decisão durante longos anos. Assim, consideramos imperioso que seja colocada à mão na consciência e se pare com actos desta natureza para que não seja preciso que se exigija uma prova pública de maturidade e coerência.

chapaNão nos intimidaremos e seguiremos reforçando nossas competências para aceder aos cargos políticos com base em mérito e confiança sem que a nossa moral seja questionada e nossa sexualidade seja o mote de representação pública. A rejeição da jovem Governadora Stella Zeca representa uma flagrante desvalorização de toda a força feminina jovem deste País. As competências de liderança devem ser postas a prova em exercício dos cargos pelos quais os (as) dirigentes foram /são nomeados e não através de artifícios machistas e retrógrados que em nada se coadunam com a perspectiva de direitos humanos e da igualdade de género de que exigimos e a lei mãe desta pátria apregoa. Não mudaremos de sexo nem esperaremos mais tempo para agir, exigimos o nosso espaço na condução dos destinos do país AGORA. Porque existimos, somos parte e temos opiniões e contribuições a fazer. A nossa participação na sociedade não pode ser resumida a de objecto doméstico e sexual.

Nenhuma cultura está acima dos Direitos Humanos.

Somos mulheres sim, somos jovens sim e vamos dirigir!

[1] Nome designado ao que seria o transporte público em Moçambique, se não fosse uma agressão aos direitos das (os) cidadãos;

[2] Nome designado ao que seria transporte público complementar no mesmo País, se as mulheres não fossem nele sexualmente objectizadas;

Haverá um lugar seguro neste mundo?

No dia 23 de Dezembro de 2014 recebemos a notícia, na madrugada anterior homens não identificados na cidade da Beira teriam arrombado uma casa e levado consigo uma menor de 4 anos, Maria[1]. Um mês depois, o caso continua em aberto! Noite de 28 de Janeiro de 2015, soubemos pelo jornal da noite da STV, uma menor de 6 anos foi violada e morta na mesma cidade! Perguntamo-nos incessantemente: Haverá um lugar seguro neste mundo? Quando o lar e a guarida dos pais deixam de ser o núcleo de descanço para uma criança, o que mais se pode esperar de uma sociedade?maria11

Assim como o caso de Maria, sentimos que tantos outros não passam despercebidos pela maioria. É flagrante que a violação sexual seguida de morte de menores, mulheres jovens e adultas caiu na banalidade do dia-a-dia. É mais uma notícia na página do jornal, é mais um episódio que agita o dia na penitenciária e a conversa no café.  Vira-se a página do jornal, chama-se o escrivão para anotar o caso, paga-se a conta no café, o dia continua!

Há ainda quem possa usar a velha desculpa: “… ah, as mulheres hoje em dia também exageram, com cada saia curta que usam pah!…”. Pois que dirão sobre a violação de menores? Supômos nós, outra desculpa aberrante: “Esses aí, só podem ser doentes!…”. NÃO, os doentes merecem a nossa compaixão, merecem ajuda médica e outros cuidados. Considerar doentes homens que violam sistematicamente menores de idade, longe de expressar repulsa serve de desfecho a conversa sem que haja espaço para argumentos, reflexão, indignação e acção! Criminosos cruéis é o que eles são, embora este termo nos dê neste instante a sensação de não cobrir a totalidade da barbaridade cometida.

 Não há meios de repôr uma vida, não há meios de acabar com a ausência e dor da familia. E assim, concluímos que não existem igualmente meios de puni-los à medida, mas, deixá-los a solta é garantir que esta história se repita infinitas vezes. Que atitudes concretas estão a ser levadas a cabo para parar com estes crimes?

O Movfemme em nome de todas as crianças, raparigas e mulheres  exige que a justiça seja feita!  Apelamos a quem de direito que conduza acções concretas no sentido localizar e punir os criminosos de acordo com a lei.

 Por Maria e todas nós, exigimos 24 horas de segurança onde o dia e a noite nos pertença!

Seguiremos em Marcha até que a justiça seja feita!

[1] A família de Maria autoriza que o nome da menina seja a cara desta campanha para incentivar que o silêncio seja eliminado e se possa exigir justiça.

Olá a todas e todos, sejam bem vindas (os) ao blog do Movfemme!

1798651_10152378113258303_5082575746860025584_nSomos um Movimento de mulheres jovens moçambicanas que desde 2009 luta por um espaço para Discussão/reflexão dos problemas enfrentados pelas jovens e raparigas na agenda de género em Moçambique. Sobre os pilares de solidariedade, companheirismo e partilha fortalecemos nossas visões de mundo. Apelamos a consciencialização da sociedade e criação de uma legislação que reconheça os actos de violência, exclusão, discriminação contra a mulher jovem e rapariga como uma violação de carácter grave aos direitos humanos.

O movimento conta com cerca de 300 associadas e/ou parceiras, sendo estas vinculadas ou não a outros movimentos ou organizações de carácter idêntico. Trabalhamos em coordenação com as várias organizações e movimentos no país. Destacam-se como parceiras: o Fórum Mulher, a Marcha Mundial das Mulheres, ASCHA Associação Cultural Horizonte Azul, o Grall, a WLSA Moçambique, a Rede HOPEM etc. Progressivamente, o Movfemme ambiciona posicionar-se como um movimento representativo da luta femininsta jovem e de raparigas no país e no mundo.

CHEGAMOSDecidimos criar este espaço para melhor partilhar os nossos ideais de uma vivência mais justa. Neste sentido, teremos aqui posts individuais e colectivos das membras do movimento e convidadas/os. Poderá ainda encontrar cá, o resumo de todas nossas actividades como: Palestras, conversas, marchas etc. Pretendemos que o blog seja um bom exemplo da livre expressão e desde já está convidada/o a adoptar a mesma postura. Poderá sempre opinar no item para comentários que aparece no fim de cada post. E igualmente participar a partir das nossas outras redes sociais como o facebook e brevemente o youtube. Contudo, apelamos que o respeito possa ser o valor guia de nossa interação. Por esse motivo, informamos que qualquer comentário que inclua expressões insultuosas será por nós eliminado.

Obrigada por nos ter visitado.

Em marcha, até que todas sejamos livres...